23/01/2013

SEMENTE DE VIDA

A terra esta pronta pro arado
Que o cavalo alazão paciente puxa
Sulcando o solo que fica a espera
Da chegada da semente.

Mãos rudes,  de grandes calos
Dedilham os grãos como se fossem
Contas dos terços recitados...
E a alma espera... silenciosa... calada...

... o sol amanhecido no horizonte,
amarelado...  tênue  de compaixão
preanuncia a chuva da fertilidade.

E a água cai tão de mansinho
Que embala  a criança chorosa
Em um doce sono de outono,
E a nona ampara dengosa
Como se fossem vasos de porcelanas,
Os devaneios queridos do nono.

A noite agoniza... alarga o dia,
E da semente que morta era
Nova vida brota,  que alegria...

As mãos calosas agora postas
Em preces agradecidas
Exclamam envaidecidas:

“Senhor!
Quisera a ventura de colher
Os frutos de minha horta.
Mas que me importa
Se eles apenas saciarem
Os frutos de minh´alma?”

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