30/12/2013

No colo de Maria

Estou sozinho a caminhar...
Sozinho! Penso eu...
Por vezes passos lentos,
Um tanto desatento.

Outras vezes aperto os passos...
Caminho sem rumo, sem direção.
Sem companhia para comigo caminhar
                                             Sigo na vida em descompasso.

Ao meu lado não vejo ninguém,
A minha frente o futuro, escuro!
Atrás! Nem é bom olhar...
Não seria digno de no céu entrar!

De repente uma melodia, uma canção
Faz-se faz ouvir, mas... De onde vem?
A voz é feminina, o som é maternal...
Como que, me querendo acalentar.

Meu coração rejubila de alegria
Bate ritmado, suave e no compasso,
Sem pressa, leve e aconchegado,
No colo protetor da Virgem Maria.

07/12/2013

Gotas de Céu


“HÁ MOMENTOS INTENSOS QUE PARA VIVENCIARMOS POR INTEIRO SERIA NECESSÁRIO A ETERNIDADE” (Padre Fábio de Mello – Acampamento de Músicos Canção Nova - 2006)

E gotas de céu na terra são os pequenos momentos de plena felicidade que aqui vivenciamos. Esses momentos acontecem em todas as áreas da nossa vida, mas é claro que os momentos a dois, com a pessoa amada, são os que ficam marcados para sempre. Ficam marcados para sempre em nosso coração.
Ao acionarmos o botão, “De Recordação”, esses momentos a dois começam a ser passados na tela da nossa recordação e constatamos que, embora intensos, o tempo vivido parece não ter sido suficiente e chegamos à conclusão: Para esses momentos intensos serem vividos por inteiro, por completo, seria necessária a eternidade. Mas, a eternidade, na prática, é vivida após a morte e ela, a eternidade nos parece tão distante... em um lugar inimaginável, inalcançável!
A grande jogada da vida é viver essas “gotas de céu” aqui na terra, de forma a eternizá-la. É isso, “gotas de céu eternizadas”. Felicidade em gotas, eternizadas em nosso coração...
Seguir adiante depois de vivencia-las e perder a fonte dessas gotas requer um repensar profundo da vida, requer buscar lá nas raízes... a raiz de tudo: A FÉ. Com ela e por ela, e somente através dela, a reconstrução poderá ser feita.
Confesso que a perda da “fonte de gotas de céu” em minha vida, fez com que a terra sumisse por debaixo de meus pés e, caminhei por caminhos antes jamais caminhados como que flutuando sobre o nada, em busca do nada. Em minha vida começaram a cair, não gotas de tristezas, mas um temporal que provocou em todo o meu ser uma enxurrada de saudade, melancolia e uma necessidade de provar minha “fortaleza” aos poucos sucumbida pelo minúsculo copo, (em relação ao meu ser) contendo uma bebida alcoólica qualquer.
Mas o recomeçar, o reconstruir era por demais necessário... e a frase “JAMAIS PERGUNTE A DEUS O “PORQUE” DO ACONTECIDO E SIM, PERGUNTE A DEUS O “PARA QUE” DO ACONTECIDO”, que minha fonte de “Gotas de Céu” repetia sempre, veio à tona e mergulhei cegamente em busca das raízes, e a raiz de tudo, A FÉ, me mostrou: “A reconstrução, o recomeço da sua vida, terá que passar necessariamente por onde ela sempre caminhou e de quem você anda esquecido: JESUS.”
E, é o próprio Jesus que afirma para nós em João 15,5: “SEM MIM, NADA PODEIS FAZER” e, mais, vamos buscar a luz em Santo Agostinho que nos ensina “NÃO SOMOS NÓS QUE TRANSFORMAMOS JESUS CRISTO EM NÓS, COMO FAZEMOS COM OS OUTROS ALIMENTOS QUE USAMOS, MAS É JESUS CRISTO QUE NOS TRANSFORMA NELE”.
Como? Quando? Onde?
Na Santa Eucaristia! A Eucaristia que, como diz São Bernardo, “é o Amor que supera todos os outros amores no céu e na terra”. “A Eucaristia, escreveu Santo Tomaz, é o Sacramento do Amor, significa Amor, produz Amor”.
E a eternidade que nos parecia tão distante... em um lugar inimaginável, inalcançável. Se torna possível, palpável, pois “para Deus nada é Impossível” (Lucas 1,37).
Diariamente, através dela, a Eucaristia, a enxurrada de melancolia em minha vida cessou, ficou apenas um mar de saudade, um mar bonito, de um azul intenso, de ondas graciosas tanto quanto o balançar do andar da minha fonte de “gotas de céu”, que vem me acariciar com lágrimas tenras que ainda teimam em rolar em meu rosto, e retribuo com um sorriso, o sorriso Elis que surfa por essas ondas, dizendo a ela: “ME ESPERE, UM DIA EU IREI TER CONTIGO E JUNTOS ETERNIZAREMOS ESSAS GOTAS VIVIDAS AQUI NA TERRA, NO COLO DO PAI”.
Penso que, quando o Padre Fábio de Mello, disse que “HÁ MOMENTOS INTENSOS QUE PARA VIVENCIARMOS POR INTEIRO SERIA NECESSÁRIO A ETERNIDADE”, ele se referia quanto a nós eternizarmos esses momentos na mesa do altar em que Cristo se faz presente para sermos um com Ele e com todas as ovelhas de seu rebanho.
Desejo que você seja eterno, desejo que você seja eterna, com Cristo, em Cristo e por Cristo, no altar da vida que você celebra sua existência e no altar em que Jesus nos transforma nEle.

25/11/2013

Domingo Céu de Brigadeiro


O primeiro domingo de dezembro de 2007, amanheceu ensolarado e com céu de brigadeiro.
A primavera está indo embora lentamente e o verão vem chegando com força de gigante.
Um acontecimento especial estava marcado para acontecer neste domingo.
Velhos amigos, eternos jovens apaixonados pelos Beatles e os Roling Stones, iriam relembrar as muitas manhãs, nem todas de céu de brigadeiro, dos domingos das décadas de 60 e 70.
Com dedicação impar, os  jovens, agora vovôs, Roberto, Vadinho e Luizinho, conseguiram reunir a equipe de futebol do RED SUN FUTEBOL CLUBE”, e melhor, suas famílias... esposas, filhos, netos...
Como nas manhãs daquelas décadas, foram chegando, um após outro, com a mesma alegria, entusiasmo, sorriso nos lábios e claro, lágrimas nos olhos de tanta felicidade...
É claro que nem todos puderam estar presente...
Uns poucos compromissados com outros afazeres e outros, não tão poucos, foram atender um chamado especial do PAI e ainda não voltaram. Se eles soubessem a falta que fazem..... Ah PAI! Quanta saudade!
A música na vitrola... isso mesmo, vitrola... a música era dos jovens que fizeram as jovens tardes de domingo, ao comando de Roberto Carlos, ficarem mais alegres, mais vivas, menos responsáveis mas, com muito mais amor. Fazia tempo que não ouvia: “ALGUÉM PODE TROCAR O DISCO? -  MAS CUIDADO PARA NÃO ARRANHAR! - CUIDADO COM ESSA AGULHA!”
O que mais se via era um RED SUN com uma foto na mão procurando saber... procurando lembrar... E o que mais se ouvia era: “Quem é esse agachado? - Quem é esse goleiro? - Que campo é esse?” – “Não vai me dizer que esse é... Não!?” - “Lembra dessa festa?”  - “Não tô lembrado dessa menina!”
Ou ainda... “veja essa foto! Você continua a mesma coisa!” - Quanta bondade na fala do amigo que só enxergava a beleza no outro, não ligando ou não notando as marcas, que o tempo provocara no rosto... no corpo do amigo.
Duas equipes foram formadas, uma dos vovôs e outra dos netos...
É... a cabeça pensa melhor do que a quase quarenta anos atras... mas o corpo... Ah esse não obedece mais mesmo... Foi divertido... muito divertido ver quem corria tanto, jogar “plantado”, e quem chutava forte, dar um “chutinho” e, as quedas? Os tombos? A bolada em quem jogava de óculos e o sangue, rindo, melava a face? Foi divertido, muito divertido.
Alguém com certeza, vai anotar nos anais do RED SUN, a formação das duas equipes e os autores dos gols... Porém, esse... esse será apenas mais um DETALHE IMPORTANTE na vida desses “eternos garotos que ainda amam os Beatles e os Roling Stones”.
A tarde rompeu... e eu imaginava que jamais irei ver novamente a alegria nos olhos de alguém com misto de saudade, de “que bom foi estar aqui”, olhos marejados de poder dar um beijo no rosto do amigo que estava “perdido” no tempo.
O céu de brigadeiro foi ficando carrancudo... Eram os olhos de alguns a derramarem lágrimas.
E assim, diferente de “até domingo!”, ou “domingo tem jogo?”, pouco a pouco, um por um foram saindo... com a promessa de estarem no próximo ano, no sétimo encontro dos RED SUNs.
É..., mais a vida vai nos mostrar novamente que, uns outros RED SUNs irão aparecer pela primeira vez e outros que aqui estiveram no sexto encontro, terão ido atender aquele chamado especial do PAI.
Por hoje ficou a certeza que a nossa alegria é mais do que sermos “eternos garotos que ainda amam os Beatles e os Roling Stones”.  A nossa alegria é um detalhe que passa desapercebido nos dias de hoje: SOMOS AMIGOS... SOMOS IRMÃOS.


23/01/2013

SEMENTE DE VIDA

A terra esta pronta pro arado
Que o cavalo alazão paciente puxa
Sulcando o solo que fica a espera
Da chegada da semente.

Mãos rudes,  de grandes calos
Dedilham os grãos como se fossem
Contas dos terços recitados...
E a alma espera... silenciosa... calada...

... o sol amanhecido no horizonte,
amarelado...  tênue  de compaixão
preanuncia a chuva da fertilidade.

E a água cai tão de mansinho
Que embala  a criança chorosa
Em um doce sono de outono,
E a nona ampara dengosa
Como se fossem vasos de porcelanas,
Os devaneios queridos do nono.

A noite agoniza... alarga o dia,
E da semente que morta era
Nova vida brota,  que alegria...

As mãos calosas agora postas
Em preces agradecidas
Exclamam envaidecidas:

“Senhor!
Quisera a ventura de colher
Os frutos de minha horta.
Mas que me importa
Se eles apenas saciarem
Os frutos de minh´alma?”