15/11/2012

Mãe Maria



Estou sozinho a caminhar
Sozinho! Penso eu...
Por vezes passos lentos,
Um tanto desatento.

Outras vezes aperto os passos...
Caminho sem rumo, sem direção.
Sem companhia para comigo caminhar
Sigo na vida em descompasso.

Ao meu lado não vejo ninguém,
A minha frente o futuro, escuro!
Atrás! Nem é bom olhar...
Não seria digno de no céu entrar!

De repente uma melodia, uma canção
Faz-se ouvir, mas... De onde vem?
A voz é feminina, o som é maternal...
Como que, me querendo acalentar.

Então meu coração rejubila de alegria
Bate ritmado, suave e no compasso,
Sem pressa, leve e aconchegado,
No colo protetor da mãe Maria.

13/11/2012

Minha Vocação


Atraído pela Voz que clamava
fui-me aproximando, com medo.
Era como um mergulhar no desconhecido,
era como o realizar no hoje
o que para o amanhã me reservava.

Atraído pela Voz que clamava
deparei-me um dia, diante de mim:
“Eu sonho um dia ser pai!”
Dizia-me a voz da razão.
Eu sonho em ti uma grande nação!”
Clamava a Voz em meu coração.
E prostrado diante de mim,
de mão estendida eu O vi na comunhão.
Erguendo lentamente os olhos novamente O vi,
Na imensa... Na imensa multidão de fiéis.

E o milagre do chamado aconteceu:
E eu O vi em cada criança e velho abandonado;
Eu O vi em cada um de meus irmãos leprosados;
Eu O vi em cada trabalhador aviltado em seus direitos;
Eu O vi em cada mulher pela sociedade marginalizada.

A comunhão acontece no lava-pés
não há eucaristia se você não servir!
Estou pronto Senhor
Faça de mim o seu servo e seu seguidor!
Conte comigo Senhor!

(Homenagem ao amigo Dalmirio Djalma do Amaral, ordenado Sacerdote em 07 de junho de 2008 na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora – Campinas – SP, dia do centenário da Diocese de Campinas). Padre Dalmírio deu-me a honra de utilizar essa poesia na lembrança da celebração da sua primeira Missa.

AQUELE HOMEM


Aquele homem a avenida descendo
Vem já arcado pelo tempo e pelas latas
De concreto nas costas carregadas.

Aquele homem a avenida descendo
Tem as mãos corroídas pelo cimento
Pela fadiga da vida, pela busca do sustento.

Aquele homem a avenida descendo
Deu-me a vida, ensinou-me a ter caráter
Ensinou-me como se ama uma mulher

Aquele homem a avenida descendo
Juntou minhas mãos e disse-me olhando nos olhos:
“Filho, em todos os momentos, nunca deixe de rezar”

Aquele homem a avenida descendo
Que me ensinou pouco e me ensinou tudo
Aprendi a chamá-lo simplesmente de PAI.

Aquele homem a avenida descendo
Vejo-o apenas em minhas lembranças
E me sinto feliz, me sinto novamente criança.

08/11/2012

Estou cansado



Perdoa Senhor!
Estou cansado.
Cansado de dar,
Cansado de amar,
Cansado de tentar
Ser o que não sei ser.

Perdoa Senhor!
Estou cansado.
O senhor me tira a razão de viver
E me pede para continuar a viver?
O Senhor é “louco”!
E diz que me ama!

Senhor! Estou cansado
E no cansaço sou dominado
Onde você esta?
Porque me abandonaste?

Minhas mãos Senhor,
Estão espalmadas para o ar
Pegue-as por favor
Não me deixe cair
Eu confio no teu Amor.

Senhor! Estou cansado,
Apenas cansado.
Perdoa-me
Minhas mãos espalmadas

Segure-as...
Segure o meu cansaço!
Continue me amando
Eu confio... estou cansado.